O Nascimento

Fundado em Maio de 2011 por um grupo heterogéneo e gerido inicialmente por 4 mulheres, o Espaço Compasso desde cedo consolidou a sua missão de espaço alternativo de Intervenção Social. Foi o berço para um novo movimento cultural intimamente conectado à Permacultura, e que constrói uma alternativa descentralizada, em lugar de criticar o sistema existente. A visão holística gerou ações locais na Ecologia, Políticas, Economia, Educação e Arte, que foram sendo aplicadas no funcionamento da associação.

Desde o início se estabeleceu uma base de conexão entre a sabedoria das culturas ancestrais e o conhecimento científico do novo mundo global.

Assim, o Compasso começou com:

  • Loja de Artesanato Étnico do mundo com instrumentos musicais, roupa e acessórios, e objectos decorativos.
  • Cozinha Vegetariana e Vegana com influências Africanas e Sul-Americanas e tendência para uso de produtos Biológicos e Locais.
  • Promoção das Artes e sua experimentação – Artes circenses (Cabaret), Teatro, Danças, Forró, Capoeira, Aulas de música (crianças e adultos).
  • Estúdio de música com bandas residentes.
  • Permacultura: Albergando a Associação Ecológica Moving Cause e através dos Cursos de Permacultura, que transformaram o espaço do quintal no jardim-comestível com construções ecológicas.

O Crescimento

Nos anos seguintes, o Compasso foi sustentando a sua visão, apesar da mudança de direção e sucessivas mudanças na equipa. Uma das grandes dificuldades na manutenção da equipa foi a incapacidade de gerar uma renda para os voluntários, que eram maioritariamente pessoas que trabalhavam no Compasso enquanto não encontravam uma actividade remunerada. O Forró (baile popular brasileiro) destacou-se como a festa semanal e contribuiu largamente para o sustento económico da associação durante cerca de 3 anos. O facto de os lucros da festa serem partilhados entre Cozinheiro, Coordenador e DJ foi um factor chave para a regularidade e sucesso económico da festa. As festas temáticas de ritmos do Sul (Afro, Reagge, Cumbia, Rodas de Samba) com Djs e Bandas também ganharam fama.

Entretanto, os vários Cursos de Permacultura foram permitindo a remodelação de todo o espaço exterior. Com a estratégia dos cursos, conseguiu-se financiamento para formadores e materiais, bem como mão-de-obra para criar e manter infra-estruturas e ainda espalhar a mensagem da permacultura como caminho para a mudança. Com o tempo, além de infra-estruturas físicas, também outros aspectos, como a gestão económica, ecológica e educativa do espaço, e por fim a própria espiritualidade foi mudando, alavancada pela visão da permacultura.

Refira-se que alguns pontos foram apenas iniciados, sendo necessária uma evolução organizativa e financeira para a sua continuidade.

Destaque-se também que o Compasso se tornou um ponto de referência internacional para mochileiros e artistas do mundo, tais como WWOOFers, músicos de rua, artistas circenses, entre outros, onde apresentam as suas performances, fazem voluntariado ou simplesmente re-encontram a família de viajantes.

O Presente

O ano de 2017 foi um ano de transição entre direções. Depois do termino do Forró aumentou a diversidade de actividades e após alguma dificuldade financeira inicial, houve uma recuperação quer em termos do balanço mensal, quer na continuação da recuperação geral, isto é, pagamento de dívidas antigas e estabilização económica. A visão da “comunidade autosustentada para a vivência e partilha de conhecimento holístico, segundo as permissas da permacultura”, sonhada para 2017, foi consolidada e evoluiu, voltando-se cada vez mais para a prática da espiritualidade como fim último da visão alternativa ao sistema humano global.